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Cufa realiza Oficina de Tricô e cidadania


O núcleo Maria Maria realizou nesta tarde de 02 de setembro na UNEI Feminina a oficina de tricô com a artista plástica Maira, a atividade marcou o inicio dos trabalhos na instituição educacional de menores em conflito com a lei na cidade de Dourados.
O trabalho tem como objetivo principal trabalhar além da ressocialização das internas, outras perspectivas de vida e uma leitura mais crítica sobre a realidade em que vivem.
Estiveram presentes a coordenadora do Maria Maria – Dourados Renata Souza, a palestrante e também membro do núcleo Bethh, Tainara (teatro), Danilo coordenador do núcleo de Arte Integradas da CUFA, Jonathan Coordenador de Esporte e Higor Marcelo Coordenador Estadual.



Logo depois Higor trabalhou com elas a música “Mulheres” de MV Bill, música que as deixou bastante emocionadas e na seqüência abordou temas relacionados à sociedade, a influência do meio, novas perspectivas de vida.
Os encontros acontecem todas as quintas feiras no período vespertino.

Núcleo de Comunicação.


CUFA movimenta o Basquete de Rua


A central Única das Favelas base Dourados retoma as ações esportivas e culturais no grande flórida.
No dia 14 de agosto o parque Antenor Martins foi palco mais uma vez do basquete arte, ou seja, mais conhecido como o basquete de rua.
Vários atletas da cidade se reunirão para mostrar suas habilidades ao som do melhor hip hop a galera jogou e se divertiu.
Segundo Higor Marcelo coordenador geral da CUFA-MS – “Essas intervenções são importantes porque retomam as atividades do basquete de rua na cidade de Dourados, trabalhando além do esporte, a arte e a cultura.”
A noite ainda contou com a presença dos acadêmicos da UFGD e dos núcleos da CUFA, Maria Maria e comunicação que foram embalados pelas discotecagens do DJ Meio Kilo.

Além de marcar o inicio de oficina de basquete de rua do Flórida.



Núcleo de Comunicação:
Claudinéia de Oliveira
Josilene Figueiredo


Domingo Dourados será a cidade do Hip Hop


Rap e Break darão o tom do final e de semana em Dourados, isso tudo porque a Central Única das Favelas realizará a etapa municipal e estadual dos Festivais Rap Popular Brasileiro – RPB e Break Dance Brasil – BRADAN, o evento acontecerá no Complexo Esportivo Jorge Antonio Salomão, o “Jorjão” dia primeiro de agosto, domingo, a partir das 14 horas.
Ano passado Dourados já teve seu nome projetado nas finais nacionais, o grupo Fase Terminal levou para o Rio de Janeiro a música No Yankee, numa mistura inédita de português e guarani e o grupo ficou entre os cinco melhores grupos de rap do Brasil.
O grande feito ficou com os bboys, Wildenis e Mario (Rockabros) que ganharam a final nacional do BRADAN, foi uma grande vitória, mesmo depois de 21 horas de viagem até o Rio de Janeiro, o cansaço não os abateu e eles mostraram o que tem de melhor na dança e conquistaram os juízes que os consagraram os melhores bboys do Brasil, numa final espetacular contra os donos da casa.
Este ano a produção do evento espera um publico bem maior e também o número de concorrentes aumentou muito, “Esse ano teremos mais de 10 grupos participando do RPB e mais de 30 duplas de bboys em busca de uma vaga na final nacional” segundo Higor Lobo, coordenador estadual da CUFA, finais essa que serão em outubro no Ceará e em Mato Grosso, a CUFA MS promete estar muito bem representada, mostrando o melhor do rap e do break sul matogrossense.
Além das competições no local, haverá intervenções de grafitti e basquete de rua, como também shows com Fase Terminal, Estação Ragga de Dourados e Real Funk de Rio Brilhante. A CUFA Dourados agradece os seus colaboradores UFGD, Chakal`s, ONG Olho D’água, Vampeta Lan House, Jasper Cabeleireiros, Auto Mecânica JR, Michelly Recreações, SEMAS e Prefeitura Municipal de Dourados.


Nota de Esclarecimento



NOTA DE ESCLARECIMENTO


A Central Única das Favelas (CUFA – MS) vem por meio desta, comunicar que por conta da instabilidade do tempo da ultima sexta feira 23 de julho, seguindo ainda informações do site www.climatempo.com.br, onde o mesmo trazia dados de chuva durante todo o dia e noite, a coordenação decidiu adiar do evento de lançamento do site da CUFA – MS, bem como o vídeo clipe do Brô MC`s, ficando a ser definida uma nova data e encaminhada à imprensa, parceiros institucionais e demais cidadãos de Dourados e região. Agradecemos a compreensão de todos e também a equipe que ficou informando as pessoas no local do evento naquela noite.
Sem mais para o momento, obrigado.



Coordenação da CUFA – MS.



CUFA – MS comemora seus 03 anos lançando site estadual e vídeo clipe do Brô MC`s


 A Central Única das Favelas de Mato Grosso do Sul em comemoração dos seus 03 anos de existência lançará no dia 23 de julho na Casa da Cidadania o site estadual da instituição.

Atuando em Dourados desde o ano de 2007 a CUFA vem construindo importantes espaços de diálogos, eventos culturais, oficinas, práticas esportivas, entre outras ações sociais em comunidades em situação de vulnerabilidade social da cidade. Trabalho este que vem tendo reconhecimento e respaldo nos mais diversos setores da sociedade. Segundo o coordenador da CUFA no estado Higor Marcelo “O site estadual da CUFA dará vazão aos trabalhos que vem sendo realizados nas comunidades, tornando os adolescentes e jovens dessas localidades, protagonistas de sua própria historia, visto que os mesmos se vêem como tal, transformando-se em multiplicadores do conhecimento adquirido nas oficinas”. Ainda segundo Higor o site irá dar mais visibilidade aos parceiros e possibilitará novos apoiadores, pois tem um espaço exclusivo para os parceiros, atualmente conta com a parceria da Secretaria de Assistência Social – SEMAS, UFGD e loja Chakal`s. No site é possível encontrar os projetos, ações sociais, vídeo, músicas, noticias, twitter, além dos projetos estaduais e nacionais como o BRADAN, LIIBRA, Viradão Esportivo, Festival RPB, entre outros. Com um layout que mescla elementos do estado como o Pantanal e da CUFA com o Basquete de Rua, o site da CUFA – MS faz uma relação interessante e moderna convidando o internauta a mergulhar em seu conteúdo. O site ainda possui link`s para os blogs das bases no estado, Campo Grande, Corumbá e Dourados.
A noite ainda promete muitas emoções, tendo como uma das atrações o grupo de rap indígena Brô MC`s que está “bombando” nos sites da MTV, Minc, Rap Nacional, CUFA, entre tantos outros que se surpreenderam com o talento dos jovens indígenas douradenses, sendo o primeiro grupo de rap indígena do Brasil a lançar um CD. Após apresentação do Brô MC`s será realizado também o lançamento do primeiro vídeo clipe do grupo com a música “Eju Orendive”, produzido pelo núcleo de áudio visual da CUFA.
O evento está marcado para as 19h na Rua Hilda Bergo Duarte, 595 A, centro, entre a Av. Marcelino Pires e a Weimar G. Torres, sexta feira próxima na Casa da Cidadania. Informações no site www.cufams.org e pelos telefones: (67) 3411 7721 e 9907 8157.

Entrevista com Brô MC`s




ENTREVISTA COM O BRÔ MC`S NA RESERVA INDÍGENA JAGUAPIRU, ESCOLA MUNICIPAL TENGATUÍ MARANGATU.



BRÔ MC`S



1 - Como e quando nasceu o Brô MC`s?
(Bruno) Então o Brô nasceu na gravação do filme vídeo Word (Terra Vermelha – 2008), ai, eu primeiro né?! Comecei a compor as músicas. Fui conhecendo os parceiros, o Charlie, o Kelvin, ai o Clemerson também, ai foi surgindo aquela amizade mesmo, pra compor rap, ser MC mesmo, ai foi indo, e ganhando força com as oficinas.


2 - Por que Brô MC`s?
(Bruno) Vem de irmão né?! Eu e ele (Clemerson e Bruno somos irmãos), o Kelvin e o Charlie é irmão também, então é isso!


3 - Brô na língua guarani significa irmão?
(Kelvin) Não Brô é inglês, brother é irmão.


4 - E irmão em guarani seria como?
Se for mais velho é Xerykey, se for mais novo é xeryvy.


5 - Qual a formação atual do grupo?
(Kelvin) Primeiro veio o Bruno e o Clemerson, ai depois o Charlie e eu entrei...
(Bruno) A gente começou na dança, daí surgiu à idéia de fazer umas letras também.


Bruno

Bruno

6 - Quais são as influencias musicais de vocês?
(Bruno) Então a gente se inspirou mesmo no pessoal de fora, que curtia mesmo, no rap nacional.
(Kelvin) Acho que a inspiração mesma minha foi..., é tipo uma denuncia do que acontece aqui na aldeia, tipo as mortes, a violência né?! Acho que através do rap a gente pode falar e critica ao mesmo tempo.
(Bruno) É isso ai que ele falou tipo, critica, fala um pouco do que acontece na nossa aldeia e mostrar um pouco do que é Guarani Kaiowá pros não-índios também.


7 - Por que o rap?
(Bruno) Então o rap pra nós é uma ferramenta pra própria defesa contra o preconceito o racismo. E mostrar que nóis somos índios e nossa voz nunca vai se calar.
(Charlie) Por que também o rap é protesto, por que ai a gente pode falar o que a gente pensa né!


8 - De onde vem às inspirações para escrever as letras? Falem um pouco sobre essa mistura de português com o Tupi Guaraní.
(Bruno) Então a inspiração é falar um pouco em guarani também, o guarani no rap, mostrar um pouco nossa identidade, Guaraní Kaiowá pro pessoal ver e mescla nossa língua com o português. E assim vai indo a letra da música.


9 - Você acha que assim consegue não só atingir os índios como os não índios?
(Bruno) É a nossa idéia é essa mesmo.


10 - E qual a mensagem que vocês pretendem passar em suas músicas?
(Bruno) A nossa mensagem mesmo é levar pro pessoal idéias positivas, para não entrar no caminho errado, no caminho das drogas da violência, sair do mundo do crime, que acontece aqui dentro da aldeia mesmo e o pessoal agora tão junto com a gente aqui, o pessoal do break, e tamo ai!


11 - Recentemente vocês foram convidados para abrir o show do Milton Nascimento em Campo Grande, falem um pouco sobre isso.
(Bruno) Então pra nós é uma grande emoção pra ta indo lá né!
(Kelvin) Milton Nascimento acho que é um grande cantor de MPB né! Que na música que fizemos com o Fase Terminal, a música “No Yankee” que na abertura a parte da música dele é cantada né, onde entra a parte do Milton Nascimento, que a gente é índio, como na música ele fala, “por que vocês não sabem, do lixo ocidental...” (Para Lennon e McCartney). Então eu acredito que a gente é visto assim pelos “brancos” né, como se a gente fosse uns lixo né! Não é porque eu to criticando os brancos, mas muita gente acha que o índio é como se fosse um lixo, só que eu acho que dependendo do tempo, isso tá mudando nos dias de hoje né, como por exemplo a gente já é reconhecido nas grandes cidades, só que em algumas cidades a gente não é reconhecido, mas eu acredito que daqui pra frente que o povo indígena possa ser reconhecido e que a gente não seja mais vitima da violência, do preconceito, racismo.



12 - Como vem sendo a receptividade do CD na aldeia e como vocês identificam isso nos não índios?
(Kelvin) Eu acho que o CD fala de muitas coisas, a maioria das músicas fala sobre o racismo...
(Clemerson) O nosso CD fala sobre a maioria das coisas que acontecem aqui, sobre a nossa realidade, ai a gente passa, a gente escreve no CD esfria nossa cabeça, falando dessas coisas, a realidade daqui da aldeia mesmo. Então sobre isso a gente grava, a gente escreve, a gente vê o fato que acontece aqui na reserva, então por isso a gente escreve nossas letras e os rap que a gente fala né?! Então a gente é o rapper que fala daqui da reserva, também da cidade, sobre um pouco das crítica que o parceiro tava falando, então é isso.
(Kelvin) Eu acho que a gente, sabe como que é? A cultura Hip Hop ele vem dos negros eu acho né? Começaram nas periferia né? Eu acredito que ele foi inventado pelos “brancos” não é por isso que a gente ta deixando nossa cultura, que a gente que é índio como a língua por exemplo que é mais importante nas nossas vidas né, e o rap ele vem das culturas dos “brancos” né? Só que eu acho que a gente não mistura isso daí né?! A gente coloca os dois juntos, tanto a cultura dos “brancos” como o que é da cultura dos indígenas, como o guaxiré (dança típica) mais o rap né!
(Clemerson) A maioria do rap nacional vem do que aconteceu nos EUA dos negros, surgiu lá, então veio os rapper`s, ai vejo como ele (Kelvin) falou também, não é por que a gente ta cantando rap que a gente ta deixando nossa cultura, a nossa cara, a nossa pele e o nosso sangue já mostra que a gente é índio mesmo, por ai a gente é reconhecido de longe como índio mesmo.


Charlie

13 - Qual a visão de vocês sobre a reserva indígena e essa proximidade com a cidade, isso ajuda ou atrapalha?
(Kelvin) Acho que ajuda né, porque se fosse só nóis indígena eu acho que não vai levanta nada, mas com a ajuda dos “brancos” o pessoal da cidade aqui nas aldeia eu acho que ajuda muito, porque a cidade é perto, pra comercio é perto. E essa proximidade dos índios com os não índios, eu acho que é muito bom porque afinal a gente sempre é ajudado pelos “brancos” né?! Eu acho que é bom essa proximidade do índio com o não índio e acho que eles tem essa curiosidade com o povo indígena.

14 - A questão da demarcação de terras indígenas no estado é um assunto que deve ser debatido melhor? Acha isso importante?
(Kelvin) Olha, eu acho que é importante, porque como a gente... Os nossos ancestrais, os nossos antepassados... Aqui o Brasil antes era dos índios né! Ai chegaram os portugueses lá o Cabral, dizendo que ele descobriu o Brasil, ai que eu pergunto, ai que eu pergunto: ele descobriu mesmo o Brasil ou não? Eu acho que não né, ele não descobriu o Brasil, quando ele chegou já existiam humanos que viviam aqui no Brasil que é o índio né?!

15 - Como que o índio vem sendo tratado na cidade? Essa circulação é tranqüila ou existe preconceito?
(Clemerson) Alguns lugares que a gente chega tem preconceito, por exemplo a gente mesmo tava no lugar para se apresentar, a gente foi lá para cantar nossas músicas, ai a gente tava lá esperando, ai de repente vem os alunos já falando “aqui não é a usina!” (muitos indígenas de Dourados e de outras reservas trabalham como cortadores de cana de açúcar em usinas da região, trabalho insalubre e muitas vezes a beira da escravidão) Eles acha que só porque a gente é índio a gente vai ta trabalhando na usina(risos).
(Kelvin) Eu acho que como a gente é índio né, a gente é um pouco diferente, a cor, a pele né! E quando a gente ta em tal lugar, as pessoas... Eu não sei qual que é o sentimento dessas pessoas sente quando vê o índio né?! Eles começam a... Principalmente que tem mais preconceito com os índios mesmo é os guarda municipal, não por que eu to criticando os guarda municipal, mas isso acontece por que eu já fui vitima disso, eu e mais tantos indígenas ai. E eu acho isso preconceito por que quando eles chega, eles pensa que a gente um tipo de bandido perigoso, quando a gente usa essas roupas mesmo de Hip Hop, com estilo de rua mesmo, ai eles chega se achando mesmo, querendo ser o dono daquele lugar e tal mandando por a mão na cabeça, revistando ai... Eu não acho legal isso daí não, o preconceito deles ai com os indígenas, isso ai não é bom não. Mas tem vários lugar que o índio é respeitado né?! Acho que o pessoal da aldeia de Dourados, a situação do índio aqui, eu acho que ele ta sendo respeitado aqui na aldeia de Dourados, mas em outras aldeias o índio não é respeitado, pelo que eu tenho acompanhado.



16 - Na opinião de vocês o que melhoraria a vida de vocês na reserva?
(todos) Apoio.
(Bruno) E o estudo em primeiro lugar e ter mais mesmo uma mente positiva, não uma mente negativa na comunidade indígena.
(Kelvin) A pessoa tem que valorizar mais o estudo e a cultura.

17 - O que vocês preferem a cidade ou a aldeia?
(Kelvin) Eu acho que a aldeia é bem melhor que a cidade, aqui na aldeia a gente não paga nada né?! Não é que a gente não paga nada, a gente paga energia elétrica, é isso né!
(Clemerson) Pouca coisa a gente paga.

18 - Na cidade tudo paga?
(Kelvin) Na cidade a gente tudo paga (risos), isso não tem como negar não!


Clemerson

19 - Como é a relação dos costumes indígenas com as novidades que vem da cidade essa troca, isso ajuda ou atrapalha?
(Bruno) Olha ajuda pra caramba essa troca, ajuda as pessoas que tão no caminho errado a vim no caminho certo, ajuda também o incentivo na escola.
(kelvin) É porque muitos “brancos’ vem trabalhar aqui na aldeia né, e eles ensina a ter respeito, e mais um monte de coisas né, eu acho muito boa essa proximidade.

20 - Qual a visão de vocês sobre a história dos índios no Brasil?
(Kelvin) Bom eu acredito que eles foram... Pelas historias dos livros que eu li e gosto de ler essas historias. Eu acho que o índio ele foi massacrado, não é que ele foi massacrado né?! Eles chegaram no Brasil como se fosse um descobrimento, só que eles chegaram lá e disseram que a posse dessa terra era dos “branco” né!
(Charlie) É a mesma coisa que a gente chegar na casa de alguém e falar: “eu descobri essa casa”, é que nem se fosse assim aqui, nas historias.
(Kelvin) Então ai eles começaram a escravizar o povo indígena né?! Só que o povo indígena como ele é acostumado a achar os alimentos deles que vem da própria terra, a própria natureza da o alimento deles, eles (portugueses) acharam que o os índios fossem “fortões” ai eles começaram a escravizar, mandaram eles corta Pau Brasil, exporta e tal ai, mas com o passar do tempo o índio foi resistindo.

21 - Vocês acreditam que possa existir algum tipo de preconceito pelo Brô MC`s tratar de um grupo de rap indígena no século XXI?
(Kelvin) Eu acho que tem sim né. Eu acho que a gente é uma novidade no mundo porque a gente é índio a gente fala a nossa língua e ao mesmo tempo a gente fala o português e essa mistura das duas culturas, ai eles espalha por ai... Eu acredito que deve ter certo preconceito sim, não só dos outros grupos, como também das pessoas né?!
(Bruno) É porque é o primeiro grupo de rap indígena a lançar um CD demo para todo mundo ouvir e expressar... Então eu acho que vai existir sim um monte de preconceito.
(Kelvin) Não porque, quando a gente ganhou lá em Campo Grande (RPB Festival – 2009), eles colocaram um monte de critica sobre o Brô MC`s mesmo, o pessoal falaram que não gosto porque a gente ganhou lá, que a gente não merecia, merecia outro grupo e tal, eu acredito que o preconceito existe sim.

22 - O que a CUFA representa pra vocês?
(Kelvin) Eu acho que a CUFA representa uma conquista pra nós, porque eu acho que através da CUFA, ela ajudando nóis, eu acho que a gente pode crescer com a ajuda deles, eu falo crescer como o índio pode ser representado em vários cantos do Brasil.


Kelvin

23 - Como é a vida na aldeia?
(Kelvin) A vida na aldeia é normal né, só que tem muita gente ai que vai pelo caminho errado não pelo certo, como tem esse lance ai de drogas, violência, briga nas festas, rebeldia ai, essas coisas.
24 - Deixem uma mensagem para os nossos leitores, fãs e todos que vem acompanhando o trabalho do Brô MC`s.
(Kelvin) Eu acho que como a gente é índio eu acho que a gente tem que seguir em frente, não deixando de lado a cultura nossa né! E também dizer aos leitores que lerem essa entrevista, que eles participem muito dos nossos shows e que eles gostem das nossas músicas né?! Que outros indígenas que eles possam seguir a gente nesse momento.
(Bruno) Então é isso, nós queremos agradecer a todos vocês, agradecer a todos, em nosso nome vou agradecer pela oportunidade de ta mostrando nosso trabalho pra vocês, é isso ai.
(Clemerson) A gente ta levando nosso rap onde ta chegando, a gente não é mau que nem os outros pensam, o nosso rosto parece que a gente é bravo, mas não é não, a gente chega conversa e tal, então é isso ai, se quiser conversar vem aqui na aldeia procura o Brô MC`s que a gente vai ta aceitando vocês e seja bem vindo aqui na aldeia.
(Carlie) Desejo paz e respeito, tem quer assim mesmo.

Através das oficinas grupo de rap indígena lança CD



Eles vivem na segunda maior reserva indígena do país, cantam rap misturando guarani e português, uma inusitada mistura que soa diferente aos ouvidos num primeiro momento, mas logo depois você se acostuma e fica bem interessante essa mistura genuinamente brasileira.

Estou falando do grupo Brô, um grupo de jovens indígenas, Eles Vivem na Aldeia Jaguapiru, em Dourados – MS. A Reserva possui hoje mais de 30 mil habitantes e esses jovens, através das oficinas de hip hop ministradas pelo MC e Coordenador estadual da CUFA no MS Higor Marcelo, membro do grupo Fase Terminal, onde os indígenas se identificaram com as letras de protesto do rap nacional e decidiram criar seu próprio estilo com composições em português e em sua língua nativa.

No começo era só mais uma lição das aulas, mas depois que viu as letras, Higor decidiu que o rap dos meninos não poderia ficar confinado àquela aldeia, ele tinha que ganhar o mundo e foi assim que surgiu o projeto do primeiro cd de um grupo de rap indígena do Brasil.

Em dezembro foi o lançamento do CD, no festival Conexão Hip Hop, realizado pela CUFA Dourados e os meninos, minutos antes de subir no palco estavam apreensivos, ansiosos, com medo até de esquecer a letra, mas segundo eles, foi só subir no palco que tudo passou, foram muito aplaudidos pelo público local e no fim todo mundo queria saber de onde vinham aquelas palavras incompreensíveis aos nossos ouvidos, eles só diziam “é a língua verdadeira do Brasil”.

Hoje as poucas cópias feitas de maneira artesanal já andam pela cidade de Dourados e alguns lugares do país, instigando e encantando aqueles que curtem o rap e também por aqueles que se interessaram por esse modo novo de cantar a realidade de onde eles vivem, o amor, o protesto.
Você também pode baixar o cd pelo link: http://www.4shared.com/file/235155073/c48ecb48/Bro_Mcs__2009__-_Rap_Indgena.html

Oficinas na Aldeia Jaguapirú




A Central Única das Favelas de Dourados retoma oficinas culturais na Aldeia Indígena Jaguapirú-Bororó.

Ao longo do ano de 2009 diversas ações foram realizadas na Aldeia indígena numa parceria da CUFA Dourados, IDAC e UFGD, levando, palestras, seminários, shows e oficinas culturais, como aulas de MC e Break para jovens indígenas.

As oficinas têm como objetivo levar a cultura Hip Hop como uma ferramenta de acesso e meio de divulgar as manifestações artístico-cultural dos indígenas para sua comunidade, bem como para os não índios, de forma a combater preconceitos e estereótipos dos não índios para com os indígenas, ato este percebido com freqüência na cidade. Nesse sentido as oficinas visam trabalhar além dos formatos do Hip Hop conhecidos e assimilados pelos jovens da Aldeia, como também trabalhar com elementos culturais dos índios, mostrando a fusão das culturas e possibilitando um diálogo transformador na realidade e na auto estima desses jovens. Na dança está sendo trabalhado o Breaking em conjunto com o guaxiré dança típica indígena, o que tem gerado forte impacto dentro e fora da aldeia. A oficina de MC trabalha na fusão da língua portuguesa com o guarani, lendas, mitos e luta dos povos indígenas, algo que traz toda a representatividade do grupo.

Recentemente foi lançado no Festival Conexão Hip Hop projeto da CUFA Dourados o CD demo do grupo Brô MC´s o primeiro grupo de rap indígena do Brasil e vem fazendo muito barulho onde toca.



BRADAN 2010, que comecem as batalhas!




Por Ana Ostapenko

Fotos Goldemberg Almeida

Incorporar a música; senti-la na alma; e começar a dançar. É assim que os Bboys Wildenis, King Wild, 23, e Mario, Rockabros, 18, vêem sua arte. Eles são os vencedores da edição 2009 do Break Dance Brasil, o BRADAN, primeiro festival nacional de break promovido pela Central Única das Favelas - CUFA, que levou ao Rio de Janeiro bboys de todo país em busca do titulo nacional.

Eles dançam a quatro anos, são tradicionalistas no estilo locking, seu maior ídolo é o precursor da dança, James Brown, e tem como maior sonho um dia ir ao Bronx, Nova Iorque, o berço do break. E o melhor, dizem tudo isso com um brilho nos olhos. Aquele brilho que só vemos em quem sente paixão pelo que faz, mesmo que essa arte não gere renda a eles.

Mario me dá uma aula de break contando toda a trajetória dessa dança, e como ele se apaixonou por ela em um dia vendo um menino dançar na escola em que estudava, “foi paixão a primeira vista”. Embora ele não tivesse a ginga necessária, se esforçou e aprendeu os primeiros passos, e a partir daí entraria no mundo da dança que hoje dita seu estilo de vida, pois segundo ele, é um bboy 24 horas por dia. Will, mais comedido, também concorda com isso. Ele dança há mais tempo, num tempo onde não havia vídeos para se espelhar, nem vídeos, apenas parcos exemplos como seu primo,o incentivador do dançarino.

Com o advento da internet, o acesso ficou muito mais fácil a novas técnicas de dança. O aprimoramento é constante e sempre há algo a aprender, desde novos giros, passos, e performances, como também em encontrar músicas adequadas para as batalhas, que é como eles chamam os encontros onde os bboys disputam pelo melhor desempenho na pista de dança.

O BRADAN foi um capitulo à parte na vida desses meninos. Foram 21 horas de viagem dentro de uma van de Dourados à cidade do Rio de Janeiro, e chegaram lá no dia da competição e não tiveram muito tempo pra descansar. Quando chegaram ao local da competição, o frio na barriga veio, mas a vontade de mostrar sua arte era maior ainda e eles seguiram pra luta.

Foram três batalhas de 4 a 6 minutos até a grande final que durou 8 minutos, e 2 eternos minutos de decisão dos jurados. Eles se diziam contentes em ter chegado até ali. Disputar uma final então... O segundo lugar já era de bom tamanho, uma vez que eles disputaram com as duplas da casa. A surpresa foi enorme quando todas as mãos do júri apontaram pra eles. Mario conta que demorou a “cair a ficha”, pois nunca tinha participado de um campeonato daquela magnitude, e Will não sabia o que fazer quando presenciou essa cena. E, sim, para eles foi a glória.

Junto com o prêmio veio o reconhecimento da dança aqui no estado de Mato Grosso do Sul. Na escola em que eles dão aula os alunos se orgulham dos professores que tem e se empenham ainda mais para um dia tornarem-se grandes bboys.

Esse ano tem a segunda edição do BRADAN, e os bboys estão ansiosos para fazer o seu show nas pistas do Estado e claro na grande final,que este ano será em Cuiabá-MT, os atuais campeões pretendem dançar muito pra garantir o bicampeonato,pois eles sabem que não é fácil, mas mesmo assim são enfáticos: “Dançaremos até o fim”.

CUFA na ExpoGeo





Em comemoração ao dia do geógrafo foi realizado no dia 29 na unidade II da UFGD mais uma edição da ExpoGeo , na mesa Arte, Cultura e Geografia.<br /> A atividade contou com a presença de vários alunos da graduação e mestrado da Geografia e os grupos de percussão Abaetê e o grupo Brô Mc`s que mostraram todo seu talento.<br /> O evento ainda teve uma mesa com Lauriene Seraguza formada em Letras pela UFDG trabalhando o tema Oralidade, Thiago Rodrigues mestrando em Geografia e Higor Marcelo graduado em Geografia e Coordenador Geral da CUFA em MS, que abordou o trabalho da CUFA nas comunidades em interface com o tema da II ExpoGeo , ” Há Geografia além da teoria?!”<br /> Depois das exposições da mesa e da convidada Lauriene Seraguza sobre a importância da oralidade nas relações humanas, foi à vez do coordenador da CUFA no estado fazer uso da palavra.<br /> <br /> Fazendo uso dos métodos geográficos e das vivencias e práticas que a CUFA possibilita, Higor Marcelo trouxe um universo pouco conhecido nas práticas acadêmicas, mas muito natural para os moradores dessas comunidades em situação de vulnerabilidade social, mostrando que em muitas vezes a falta de oportunidade oportuniza outros métodos de sobrevivência e a existências dentro dessas localidades, como o crime e o narcotráfico. Tendo como umas das práticas para envolver realmente uma ação que possibilite novas possibilidades dentro dessas localidades, passa pela CUFA e suas ações nas bases, o maior numero de pessoas que antes não teriam se quer acesso aos meios produtivos.<br />

Oficina de Bate Lata começou!




Na tarde de ontem, sabado dia 29 de maio ás 14h foi lançada a oficina de bate lata na Escola Iria Lucia no Estrela Porã. O projeto da CUFA Dourados conta com a parceria da Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD e da Secretaria de Assistencia Social - SEMAS, estiveram presentes crianças e adolescentes da comunidade, além da assistente social Márcia do CRAS Parque do Lago II, a acadêmica de Ciências Sociais Bethh e membro da CUFA Dourados, a também acadêmica e coordenadora do Maria Maria Renata, a acadêmica de Econômia e coordenadora no núcleo administrativo da CUFA Daniele, o arte educador Fernando Rodrigues e o coordenador da CUFA MS Higor Marcelo.


Marque na sua agenda: CUFA Dourados realizará projeto de percussão orgânica



No próximo sábado a CUFA Dourados inaugura mais uma ação, a oficina de bate lata, o projeto acontecerá no bairro Estrela Porã a partir das 14 horas e atenderá crianças e adolescentes daquela região. O projeto acontece em vários lugares do Brasil, é conhecido como percussão orgânica, uma vez que os instrumentos são feitos a partir de latas de tinta vazias. Os alunos aprenderão a "bater lata" claro que agora com ritmo e cadencia de um percussionista.
A oficina surge com o objetivo de por meio da musica produzida pelos proprios alunos gerar um processo de reconhecimento e auto estima, tendo os alunos como principais atores da ação. Além das aulas de percusão os alunos estarão confeccionando os instrumentos e recebendo noções de ritmo com o professor Fernando Rodrigues.
Segundo o coordenador da CUFA -MS, Higor Marcelo,esse projeto tem a intenção de se estender a outro bairros da cidade: "formando parceiras, haverá a possibilidade de levarmos a mais bairros o mesmo curso, formando assim, um grande grupo de percussão". Ressaltando que essa é mais uma parceria entre a CUFA Dourados a Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD e a Secretaria de Assistencia Social - Semas.
Desde 2008 a CUFA Dourados realiza as mais diversas atividades na cidade, desde intervenções de basquete de rua até oficinas de break e grafitti, com essas oficinas muitas vidas foram modificadas e tiradas do crime e das drogas, o que é o grande objetivo da instituição.
A CUFA - MS realiza diversas oficinas pela cidade, todas com o intuito de educar e trazer cultura para as comunidades carentes da cidade, muitos frutos dessa oficinas já foram colhidos, um exemplo é o grupo Brô Mc's que foi criado a partir das oficinas de hip hop que são ministradas na Aldeia Jaguapiru.


Serviço:
O que: Oficinas depercussão orgânica
Onde: Bairro Estrela Porã - Dourados MS
Quando: Todo sábado a partir das 14 horas

Projetos

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Parceiros

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